Ocupação do Espaço NoBatente

Os integrantes do NoBatente vieram de diferentes localidades da cidade de São Paulo e Grande São Paulo, o que o fez circular por diferentes espaços na cidade. A dificuldade de locomoção e de espaço para produzir cenicamente, faz emergir como tema de pesquisa e discussão o Direito a Cidade, especificamente nas periferias das grandes cidades. Ao entender que a cultura contribui para criar outros significados na relação com a cidade, como o que se manifesta no direito a obra (a atividade participante) e o direito a apropriação – participar e se apropriar, diferentemente de se tornar o proprietário – tal como pressupôs Henri Lefebvre, o direito a cidade se “manifesta como forma superior dos direitos: direito à liberdade, à individualização na socialização, ao habitat e ao habitar”.
Assim o Coletivo realizou diversas ações em espaços públicos com objetivo de problematizar a sua função social e seus usos, estabelecendo, portanto, uma correlação entre o lugar que os moradores das periferias ocupam na sociedade e a motivação em seu fazer artístico, político e cotidiano. O que fez apreender tanto no campo prático artístico como também no campo teórico os processos que alavancaram as formas de urbanização da cidade. 
De tal modo que o Coletivo NoBatente, atua com o propósito de continuar sua pesquisa estética com intervenção na cidade e na periferia de São Paulo, ao se diferenciar de uma prática tradicional de grupos de teatro que atuam no Centro, seja pela relação de locomoção, seja pela facilidade de acesso ao número de equipamentos culturais presentes na região central. Ocupamos espaços do extremo da Zona Leste de São Paulo e desenvolvemos atividades com os moradores desde e outros coletivos culturais desde 2014.
Em 2015 realizamos uma Ocupação Cultural no espaço da Cohab abandonado há 14 anos, no antigo Mercadinho Jangada, também conhecido como final do ônibus 07. Esta ocupação origina-se na necessidade do coletivo de estabelecer uma linha de ação que dialogasse diretamente com a comunidade e de uma integração maior com os seus projetos. Como é um espaço que ficou por muito tempo abandonado antes da ocupação cultural, é constante o esforço de torná-lo reconhecido no bairro. O Coletivo encontrou  o espaço em péssimas condições e atuou nele, entre retirada de entulhos, limpeza, pintura e pequenos reparos com a contribuição de alguns parceiros e de seus integrantes, promovendo ações com a comunidade, além de algumas melhorias no espaço. Através de ações artístico-pedagógicas em forma de oficinas, intervenções e apresentações de cenas e músicas, o grupo procura não “levar a cultura e a arte até a periferia”, supostamente desprovida de manifestações nesse âmbito mas, produzir junto a outros sujeitos periféricos uma expressão significativa a partir da nossa percepção conjunta daquele espaço, ressignificar sua existência no bairro, tornando-o um espaço de fruição da arte e construção de um pensamento político de transformação social.

Promoveu ações para a comunidade através de ações artístico-pedagógicas em forma de oficinas, intervenções e apresentações de cenas e músicas, o grupo procurou não “levar a cultura e a arte até a periferia”, supostamente, desprovida de manifestações nesse âmbito, mas produzir junto a outros sujeitos periféricos uma expressão significativa a partir da nossa percepção conjunta daquele espaço, ressignificar sua existência no bairro, tornando-o um espaço de fruição da arte e construção de um pensamento político de transformação social.  Outros coletivos de teatro, grafiti, audiovisual, músicos, poetas, rapers e palhaços vieram somar nas atividades da ocupação do NoBatente.


O Espaço foi alvo de disputa durante o período em que permanecemos na ocupação, organizações, vereadores, catadores e pessoas em busca de moradia tentaram tomar o espaço. No dia 16 de junho e 2015 a ocupação sofreu com um incêndio que tornou o espaço inabitável sem condições estruturais de realizar atividades. 

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